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Anúncio do primeiro-ministro de não dar tolerância de ponto na terça-feira 21 chegou tarde. Privados estão abrangidos por acordos coletivos.
A grande maioria dos municípios com tradições de Carnaval vão manter a tolerância de ponto e conceder dispensa aos funcionários na terça-feira, dia 21, apurou o DN. Com os privados, que representam a esmagadora maioria dos trabalhadores, também parados, este será afinal dia útil apenas para uma minoria da população.
Em relação aos trabalhadores do setor privado, serão muito raros os casos em que tenham de se apresentar ao serviço. Isto porque, apesar de "facultativo", o Carnaval é tratado como dia de pausa na generalidade dos acordos coletivos, que abrangem mais de 90% das profissões fora do Estado.
"O setor privado tem esse feriado facultativo inscrito nas suas convenções, não me lembro de nenhuma que não o tenha", confirmou ao DN João Correia, especialista em direito do trabalho, acrescentando que o Governo "não tem legitimidade" para decidir em contrário, algo que só poderia ser feito "pelos representantes de patrões e empregados".
A única forma de o ditar, acrescentou, seria "por força de lei", como sucedeu em relação aos quatro feriados - dois civis e dois religiosos que vão desaparecer do calendário.
Recorde-se que, em declarações ao DN, a 28 de fevereiro - antes de ser conhecida a decisão do primeiro-ministro, anunciada na sexta-feira -, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, João Vieira Lopes, também defendera a manutenção do "feriado" no Carnaval: "A eliminar, teria sido antes", disse. "A terça-feira de Carnaval não é um feriado oficial, mas acaba por sê-lo na prática."
Também os municípios não estão preocupados com o facto de não se tratar de um feriado nacional, porque podem sempre ditar um municipal. Fonte oficial da Associação Nacional de Municípios Portugueses garantiu ao DN que "a grande maioria dos municípios irá manter a tolerância de ponto, porque em muitos concelhos é a economia que fala mais alto".
Portugal tem vários Carnavais com muita força e tradição: Ovar, Mealhada, Nelas, Torres Vedras, Alcobaça, Loulé. Mas por todo o lado organizam-se festejos e bailes.
A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro (CIRA), que tem no seu território dois dos concelhos com fortes tradições no carnaval do País - Ovar e Estarreja -, decide, até quarta-feira, se haverá uma orientação comum de manter a tradicional tolerância de ponto que o Governo anunciou não dar aos funcionários públicos.
"Tenho de ver o que cada um está a pensar e consultar os privados, as maiores empresas, por exemplo", disse ontem ao DN Ribau Esteves, social-democrata e presidente do Conselho Executivo da Região de Aveiro da qual fazem parte onze concelhos. Ribau Esteves "discorda completamente" da decisão governamental, porque a terça-feira de Carnaval "é na prática, há muitos anos, um feriado, não só no setor público como no privado". Além disso, o facto de o Governo ter anunciado não dar tolerância de ponto em cima dos festejos carnavalescos. "Tinha de avisar com um ano de antecedência", afirmou, lembrando os investimentos de "milhões de euros" neste tipo de evento, que sem o desfile no último dia "torna-se uma penalização muito grave".
Ribau Esteves admitiu que, caso tivesse sido anunciado que não haveria tolerância de ponto em 2013, teria o seu apoio. Ainda assim, o ex-secretário geral do PSD não vê que esta medida, isolada, possa melhorar a produtividade dos funcionários públicos. "Diz-se muita asneira, não é por se trabalhar mais um dia, dois ou três dias que se produz mais", concluiu. Amadeu Araújo e Pedro Sousa Tavares com Júlio Almeida, Aveiro
dinheirovivo.pt
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Autor do Tópico: florindo Hoje, 14:55